quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Lição de Natal

Lina escolheu jantar fora. Ela e o pai arrumaram lindamente a mesa do quintal para comermos o arroz de forno que preparei com a segunda leva de sobras de peru de ontem. Quando o Márcio Pinheiro depositou o prato na mesa, ela tocou o pirex e deu um gritinho de dor. Automaticamente, o pai e eu dissemos "Viu? A gente disse que estava quente!"

Ato contínuo, olhei nos olhinhos dela, que olhou bem dentro dos meus, e a vi fazendo beicinho e segurando o choro, como que pensando "eu fui avisada, agora não posso chorar". Imediatemente, então, eu a acolhi, nós a acolhemos, e dissemos: "Chora, filha, pode chorar". Abraços, beijos e um copo cheio de água para aliviar a dor do dedinho curioso queimado.

Sim, ela aprendeu com a dor (repetiu algumas vezes ao longo do jantar pra gente não tocar no prato, que estava quente), mas aprendeu também que estamos aqui para ela. Mesmo se ela errar.

Obrigada, universo, pelo meu melhor presente.

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